Colunista

Qual Lula vai discursar na ONU, na próxima terça? – por Erivaldo Carvalho

Presidente cumpre intensa agenda internacional / Reprodução

Já em solo americano, o presidente Lula deverá repassar, nas horas seguintes, o discurso que vai ler, na terça-feira (19), na assembleia da ONU – tradicionalmente aberta pelo Brasil.

Mas, de que Lula estamos falando? Do que encantou o mundo, no início dos anos 2000? Do político cada vez mais pragmático, com suas doses quase diárias de incoerência?

Provavelmente, nem um nem outro – mas a mistura de vários “Lulas” – montados a partir de recentes recortes e retoques da imagem internacional do petista. Vejamos.

Começando pelos aspectos positivos, na linha do mantra petista “o Brasil voltou”.

Nova ordem mundial
Nos últimos fóruns de que participou, Lula pregou uma nova ordem econômica, social e política.

Na visão do presidente do Brasil, quanto mais horizontalizado, mais inclusivo e sustentável o mundo será.

O brasileiro cobra mais participação financeira efetiva dos ditos blocos de países desenvolvidos, numa espécie de reparo ambiental ao resto do mundo.

O petista condena a supremacia das big techs e é um reconhecido combatente da fome no mundo.

Mas nem tudo são flores. A começar pelo que Lula entende que seja uma nova ordem mundial.

Fator China
Quando Lula apoiou a ampliação dos Brics, por exemplo, estava ajudando a China, um de seus membros, a aumentar seus mercados.

Outro desdobramento é colocar a superpotência econômica asiática em mais ascensão sobre muitos dos maiores produtores de petróleo.

Com isso, Lula acredita que fica mais próximo o sonhado assento do Brasil no Conselho Permanente de Segurança da ONU.

Controvérsias
Não é bem assim. Assim como não faz sentido o disparate de Lula, ao defender a vinda de Vladimir Putin ao Brasil, sob a garantia de que o russo não seria preso.

Invasor da Ucrânia, o ex-KGB foi condenado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI).

O que fez Lula? Virou-se contra o TPI, mesmo sendo o Brasil um dos primeiros signatários do tribunal. Está na Constituição Federal de 1988.

Meses atrás, ao falar sobre a Ucrânia, Lula já tinha igualado os desiguais, praticamente condenando a vítima.

A propósito de liberdade, o petista chegou a relativizar o conceito de democracia.

Outra: seu governo está prestes a explorar petróleo na foz da Amazônia.

Na lista entra, ainda, a criativa associação, feita pelo presidente da República, entre mudanças climáticas e terremotos. Melhor não comentar.

Agenda e personagem
De 1º de janeiro até aqui, foram mais de nove meses de uma agenda externa muito intensa – produtiva, para alguns – para outros, questionável.

O discurso de Lula na ONU, daqui a dois dias, vai sinalizar para que tipo de personagem o presidente quer o mundo olhe.

Vamos aguardar e assistir.

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