Colunista

Por que há tantos pré-candidatos a prefeito pelo PT? – por Erivaldo Carvalho

Presidente Lula, em campanha / Ricardo Stuckert/pt.org

Nesta sexta-feira (13), cabe perguntar por que as eleições municipais de 2024 podem bater recorde em número de candidatos a prefeito e vereador pelo PT.

Nacionalmente, o partido tem um ambicioso plano de seguir ou chegar ao comando de gestões locais nos principais centros urbanos.

Em Fortaleza, pelo menos quatro nomes são citados como possíveis postulantes; no Interior do Estado e, por extensão, nos rincões do Nordeste, todo bicho de orelha quer entrar na disputa.

A explicação para tanto interesse – muito além do repentino espírito público –, tem relação direta com o fenômeno de transferência de voto do presidente Lula.

Na média geral, pesquisas de intenção de voto na gigantesca bolha nordestina são muito claras: candidatos do PT, apoiado por Lula, ganham uma dianteira logo na largada.

Foi mais ou menos o que se deu em 2022, para o governo do Estado do Ceará: todas as sondagens davam extraordinário potencial eleitoral a qualquer um – desde que do PT e apoiado por Lula.

PS: não estamos entrando no mérito do que seja ou deixe de ser o lulopetismo. Ser bom de voto nem sempre guarda sintonia com entregas e outras variáveis.

Só sabemos que é assim.

Último cavalo selado pode estar passando na porta

Lula terá 81 anos no final deste mandato / AF Rodrigues/Agência Pública

A ansiedade de políticos de se lançarem candidatos pelo PT, no ano que vem, também tem relação com a condição pessoal do presidente Lula.

Tudo dando certo e nada dando errado, o petista será octogenário no final deste mandato. Terá, portanto, no mínimo, a dúvida se disputará a reeleição.

Estamos falando de 2026. O próximo pleito municipal será em 2028.

Na prática, significa dizer que o cavalo selado chamado lulopetismo poderá sorrir pela última vez em 2024.

Oportunismo e resistência
O efeito da força populista de Lula sobre eleitores e pré-candidatos no Brasil criou uma situação politicamente muito interessante.

Sendo o apoio ou não do petista um divisor, muitos têm se orientado, a partir desse critério. Assim, há os oportunistas, que aproveitam e se mexem para entrarem no circuito do poder lulopetista.

Outros, já estando lá, se movimentam para não saírem do lugar. Do lado de fora, há os não, necessariamente, antilulistas. Estes, farão barricada contra o hegemonismo político de Lula e o PT.

Oposição lá
Com os movimentos e as ofertas certas, o presidente Lula dobrou o centrão; assiste, de camarote, a duas CPIs, que jogaram no canto do ringue o que sobrou da resistência bolsonarista.

Do outro lado da Praça dos Três Poderes e adjacências, o petista conta com uma legião de simpatizantes nos tribunais superiores. Politicamente, portanto,
o cenário está dominado.

Oposição cá
Deve-se muito ao efeito lulupetista não somente a vitória do governador Elmano de Freitas (PT), nas eleições de 2022. A sustentação política do petista cearense é uma espécie de extensão da força de Lula no Estado.

Há dúvida? Pergunte a um deputado federal, estadual, prefeito municipal ou vereador o desafio de ir contra o partido da estrela.

Brasília teve semana política pouco animada

Os presidentes Arthur Lira e Rodrigo Pacheco / Agência Senado

Surpreendeu ninguém a baixa movimentação política na Praça dos Três Poderes, na Capital Federal, nesta semana que chega ao fim.

Operado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue de molho; chefe da Câmara dos Deputados – que toca a pauta legislativa –, Arthur Lira (PP-AL) está na Ásia; Rodrigo Pacheco (PSD-MG), congênere de Lira no Senado, viajou à Europa.

O feriado desta quinta-feira (12), que para muitos políticos se transformou num esticadão, ajudou a esvaziar Brasília; o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, pelo TSE, foi adiado para o próximo dia 17.

Tudo somado e considerado, o noticiário foi pautado, basicamente, pela preocupante situação no Oriente Médio.

 

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