Colunista

Por que Élcio Batista trocou o PSB pelo PSDB – por Erivaldo Carvalho

Vice-prefeito está de olho no tassismo / Tapis Rouge/Divulgação

A compreensão da troca do PSB pelo PSDB, feita pelo vice-prefeito de Fortaleza, Élcio Batista, passa pelas motivações, interesses e perspectivas envolvidas no processo.

O contexto remonta à disputa eleitoral de 2022, quando o sociólogo articulou e fez campanha pelo então candidato a governador, Roberto Cláudio (PDT).

Outra banda do PSB subiu no palanque de Elmano de Freitas (PT), com a anuência de próceres do partido. Élcio fez sua aposta.

Internamente, bateu de frente, dentre outros, com o militante histórico do partido e pai do então governador Camilo Santana, o engenheiro Eudoro Walter Santana.

A relação mal resolvida entre o PDT do prefeito José Sarto e o PT de Elmano, certamente, também empurrou Élcio para fora.

Ou seja: se de lá para cá, o vice-prefeito ainda não vislumbrava novos rumos, pelo menos já se sentia motivado a sair do grupo – onde seu espaço havia diminuído.

Interesses
Estudioso do jogo do poder, Élcio sabe como é importante a geração de algum tipo de protagonismo – sob o risco de ir a reboque dos fatos e se tornar irrelevante.

Costuma-se dizer que não há escola nem rua com nome de vice ou suplente. A regra indica que a maioria cai no ostracismo.

Não é, exatamente, o caso do vice-prefeito de Fortaleza, popular e conhecido em eventos, desde a época em que era despachante no Palácio da Abolição.

Com muito network, construído dentro e fora dos círculos governamentais – inclusive, com experiências internacionais -, Élcio Batista captou a oportunidade.

E qual opção poderia ser melhor para tentar nova vida partidária do que no PSDB, do já histórico Tasso Ribeiro Jereissati?

Atenção: aqui se faz necessário destacar uma distinção conceitual: estamos falando do tassismo e não do tucanato – este último está no ocaso.

Conforme o próprio Élcio fala de punho, nas redes sociais, a trajetória do hoje ex-senador conta a história da modernização e inovação do Ceará.

São esses traços, equalizados com sua fleuma provocativa e elaborativa, que o mais novo filiado ao PSDB quer agregar ao seu linkedin político.

Pode dizer que ao ir para o PSDB, Élcio atualizou as conexões.

É bem verdade, entretanto, que não existe herança na política, no lato sensu. Particularmente, em se tratando de Tasso, que exibiu enormes dificuldades em fazer sucessores.

De qualquer forma, a fala, já modulada, do neotucano, guarda aderência com o setor produtivo do Estado, via seu mais novo padrinho.

Perspectivas
Élcio é o 10º vice-prefeito de Fortaleza, desde a retomada das eleições na Capital pelo voto direto. Ele não quer ser somente mais um na lista.

Para lembrar, na sequência: Américo Barreira, Juraci Magalhães, Marcelo Teixeira, Marlon Cambraia, Isabel Lopes, Veneranda, Tin Gomes, Gaudêncio Lucena e Moroni Torgan.

Como se percebe – e puxando-se pela memória -, são raríssimos os casos acima de vida pública exitosa depois da Vice Prefeitura. Vários tentaram.

De resto, a troca do PSB pelo PSDB foi um movimento recheado de ousadia e curiosidade – duas características muito presentes no perfil de Élcio.

Com histórias distintas, PSB e PSDB são conhecidos pelo amarelo/vermelho e amarelo/azul, respectivamente.

Em pelo menos uma das cores, os dois partidos têm algo em comum.

 

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