Colunista

Erivaldo Carvalho: Petrobras, Bolsonaro e Lula

Empresa tem a União como acionista majoritária / Tânia Rêgo/Agência Brasil

Em regra geral populistas, os políticos brasileiros não dispensam uma boa oportunidade de fazer média com o público. Quando estão ou querem chegar ao poder, o apelo cresce em ordem geométrica. E se o ano é eleitoral, aí vira questão estratégica. É nessa perspectiva que deve ser visto o imbróglio em que se transformou a Petrobras. Inclusive, por igualar o presidente Bolsonaro e o ex-presidente Lula, no quesito controle de preços de combustíveis.

O atual mandatário, visto como vilão da escalada de reajustes de gasolina, diesel e gás de cozinha, dobrou a aposta e fez mais uma troca no comando da petroleira, da qual a União é acionista majoritária. No cerne da questão, está a dolarização do preço dos produtos na bomba de combustíveis e no caminhão da venda de gás. Já o PT demonstrou, na prática, em 2014, na reeleição da então presidente Dilma Rousseff, como é possível manipular a política de preços por razões eleitoreiras.

A diferença entre os dois é a capacidade política que o lulopetismo tem de envelopar as ações pragmáticas, que sustentam o projeto de poder, passando uma versão redentora em favor da maioria desvalida. Nesse ponto, também, o bolsonarismo é um desastre. Trata uma empresa bilionária global, listada em bolsas de valores, com planejamento de longo prazo, governança etc, como se fosse um empreendimento qualquer. Sendo a Petrobras uma amostra do que é a gestão Bolsonaro, provavelmente será esse conjunto da obra que irá a julgamento em outubro próximo.

Doria, Tebet e o efeito Orloff
Fora da disputa ao Palácio do Planalto, João Doria (PSDB-SP) aceitou a realidade, rendendo-se à inviabilidade política de seu nome na cúpula do partido – hoje estrangulada entre vários rumos possíveis – inclusive apoio a Bolsonaro. Eis a grande lição: sem unidade partidária e, principalmente, sem o convencimento de quem dá o tom na sigla, candidatura nenhuma vai para frente. Já sentindo a pressão, a pré-candidata Simone Tebet (MDB-MS) corre o risco de seguir o mesmo caminho do tucano. A senadora terá de correr contra o tempo e mostrar o que parece impossível: chegar a dois dígitos de intenções de voto e, assim, mostrar potencial para entrar na briga. Na crônica política, é o famigerado “efeito Orloff”: eu sou você, amanhã.

Revoada I
A oposição ao Governo do Estado trabalha com o horizonte de prefeitos descompromissados, politicamente, com o Palácio da Abolição, a partir de julho. No referido mês começa o período de “defeso eleitoral” – a partir de quando repasses financeiros voluntários entre as gestões estadual e municipais ficam proibidos pela legislação eleitoral. Tem observador apostando numa revoada de um lado para o outro.

Revoada II
É muito relativa a perspectiva de prefeitos hoje na base governista migrar, quase que automaticamente, quando afagos do Abolição a gestões locais cessarem. Vai depender, muito, do desenrolar da própria campanha. Se acontecer algum movimento do tipo, será na reta final, quando entra em cena a chamada perspectiva de poder. Por quê? Simples. Prefeito é um dos mamíferos com instinto de sobrevivência mais aguçado que existem.

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