Colunista

Indicação de ministro do STF não deve ser jogo de lealdade – por Erivaldo Carvalho

Zanin ficou conhecido como “advogado do Lula” / Reprodução

O Senado deve sabatinar e aprovar, ainda neste semestre legislativo, o nome de Cristiano Zanin, o advogado de Lula na Lava Jato, para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF) com a aposentadoria de Ricardo Lewandowski.

Será mamão com açúcar. Segundo levantamento da imprensa, pelo menos três dezenas dos 81 senadores devem à Justiça. No caso, ao Supremo, pelo fato de terem foro privilegiado. Levante a mão quem acredita na criação de alguma dificuldade para quem poderá ser seu juiz.

Com 47 anos de idade, Zanin deverá usar a mais cobiçada toga do País até 2051. Serão 28 anos. Ou, contados em mandatos, serão, arredondando, sete presidenciais ou quase quatro de senadores – oito anos.

Os parlamentares têm a quem puxar. Do outro lado da Praça dos Três Poderes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diz aos quatro ventos que escolheu Zanin subjetivamente. Ou seja, por vontade pessoal, capricho ou algum outro sentimento menos nobre.

Já no STF, propriamente, a expectativa entre os ministros veteranos para receber o magistrado novato não dá a menor trela para protocolo ou cerimônia. Alguns já tratam o advogado como colega de Corte.

Na prática, os Três Poderes da República tratam a escolha de um ministro do Supremo como mero jogo de lealdade. Isso diz muito sobre nós.

E se o prefeito Sarto não for candidato à reeleição?

RC seria o plano B do PDT / Divulgação

De um importante interlocutor da coluna: não são favas contadas a candidatura à reeleição do prefeito José Sarto (PDT) – mesmo o atual chefe do Executivo da Capital exibindo sinais de que pretende mais quatro anos de mandato. A fonte avança: nesse caso, o ex-prefeito Roberto Cláudio (PDT) seria, naturalmente, o plano B. Este colunista lembra ao observador que RC ficou em terceiro lugar, no Município, para governador, em 2022. Ele: mesmo assim, garante um bom acordo.

Política e narrativas
É clássica a ideia de que disputas eleitorais são um jogo de captura por corações e mentes. Em condições supostamente iguais, quem convencer mais leva a melhor. Atualmente batizada de narrativas, a prática é mais velha do que a política – existe desde que o mundo é mundo. Até aí, nada demais. O problema é quando governantes incorporam a tal verdade alternativa ao seu discurso e vocabulário, de onde passam a enxergar a realidade e a própria gestão. Em casos assim, narrativistas contumazes são as primeiras vítimas.

Moeda
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, a quem o presidente Lula se refere como inimigo público, é contra a moeda única no continente Sul-Americano. A ideia foi defendida nos últimos dias, pelo presidente brasileiro. O chefe da instituição financeira argumenta que a ideia é antiga e ultrapassada pela digitalização bancária.

Votos
O presidente Lula soltou a senha para tentar organizar a base aliada no Congresso Nacional: conversar com quem discorda do governo e até mesmo com adversários. Na teoria, é algo simples. Na prática, só com muitas nomeações e verbas públicas. Mas não há muito o que fazer. Na prancheta, o Planalto não contabiliza mais do que 160 dos 513 votos da Câmara.

A ideia vencedora da Câmara Municipal

O presidente da CMFor, vereador Gardel Rolim / Cleonardo Dias/divulgação

A Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor) reinaugurou, em grande estilo, o projeto “Meu Bairro, Nossa Câmara”. Idealizado pelo presidente da Casa, Gardel Rolim (PDT), a iniciativa quer fortalecer vínculos entre habitantes da Cidade e o poder Legislativo Municipal. “Vamos percorrer as doze regionais de Fortaleza, ouvindo os anseios da população e levando diversos serviços para as comunidades”, destaca o chefe da CMFor. A primeira rodada aconteceu este final de semana, na Barra do Ceará. Trata-se de uma ideia triplamente vencedora: aproxima a política da comunidade, capta os anseios da Capital e, não menos ruim, é um canal de comunicação, às vésperas de um ano eleitoral.

 

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