Colunista

Erivaldo Carvalho: Os incríveis percalços de Lula entre a vitória e a posse

Em 2002, foi criado o mote da “herança maldita” / Wilson Dias/Agência Brasil

A transição entre governos, no Brasil, é uma conquista institucional. Aos poucos, ficaram para trás animosidades políticas – e até pessoais -, e os famigerados desmontes. Mas o governante que entra precisa descer do palanque, ter parcimônia no que faz e temperança no que diz.

O período, particularmente quando há alternância de poder, deve servir para coleta de informações, transferência de dados sensíveis e minucioso diagnóstico sobre o que foi encontrado. Não é um simples limpa gavetas de um lado e um caminhão de mudanças chegando, do outro.

Dito tudo isso, impressiona como a equipe de transição do futuro governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vem colecionando percalços. O mais palpável, até agora, é a PEC da Transição, uma licença para gastar que, independentemente do mérito social, pode arruinar futuros governos. Em seguida, vêm as declarações do presidente eleito, ameaçando dar calote na dívida pública, via rombo no teto fiscal.

De menor monta, a nomeação de Guido Mantega, proibido de exercer função pública, também foi vexatória. O ex-ministro teve de pedir para sair. Por último, o polêmico voo do futuro presidente ao Egito, para a COP27, de carona, em avião de empresário. Pegou mal.

O alinhamento entre Elmano, Luizianne e Catanho

De arquivo, o futuro governador e o aliado / Reprodução de Internet

O futuro governo Elmano Freitas (PT) caminha para ser inclusivo de forças políticas. Mas deverá ser marcado, também, pela presença de nomes do mesmo segmento do Partido dos Trabalhadores onde o próximo chefe do Executivo obteve formação política. Elmano segue próximo à ex-prefeita de Fortaleza, deputada federal Luizianne Lins (PT) e de seu braço político direito, Waldemir Catanho. Tanto que o jornalista é cotado para o 1º escalão.

O Brasil e a copa das arábias
Iniciada neste domingo (20), a Copa do Mundo Fifa do Catar já entraria para a história por ser a 1ª no Oriente Médio e a última com 32 equipes – em 2026, serão 48 times. Agora, veio a polêmica – ou previsível -, proibição de venda de bebidas alcoólicas. Mas isso é assunto para os cartolas. O que o público em geral quer mesmo é bola no pé, chute a gol e corrida para o abraço. Nesta quinta-feira (24), a Canarinho entra em campo, juntamente com milhões de torcedores, técnicos, juízes e operadores do VAR. Bora, Brasil!

Homenagens
A Assembleia Legislativa celebra, nesta quarta (23), 50 anos do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico no Estado do Ceará (Simec). Serão homenageados o atual presidente, Sampaio Filho, e os amigos da entidade, Ricardo Cavalcante (Fiec) e o deputado Sérgio Aguiar (PDT), autor do requerimento para a sessão solene.

Máscara
O retorno gradativo do uso de máscaras preventivas da covid-19 é acertado. A pandemia está em repique, embora com nada que lembre os tenebrosos tempos de dois anos atrás. As aglomerações para a Copa do Mundo serão um teste de disseminação. Na final do torneio mundial de futebol (18/12), já estaremos no pico da alta estação turística.

A estratégia que passa por Evandro

Presidente da Assembleia poderá ser reeleito / Agência Alece

Maior bancada na Assembleia Legislativa – 13 dos 46 deputados -, o PDT caminha para indicar o atual presidente da Casa, Evandro Leitão (PDT), para seguir no posto. O movimento pode ser o desfecho da reconciliação da sigla com o PT do futuro governador, Elmano Freitas (PT). A operação, entretanto, não é unânime. Uma vez reeleito, o atual chefe do Poder ganharia musculatura para a sucessão do prefeito José Sarto (PDT), daqui a dois anos. O próprio PT do próximo governador já vislumbra lançar candidatura própria à Capital do Estado. Nomes já são citados. Nesse imbróglio, uma das opções seria Evandro trocar seu partido por uma sigla genuinamente palaciana.

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