Colunista

Erivaldo Carvalho: O pacote requalificador do prefeito Sarto e a sucessão estadual

Em 2020, houve segundo turno entre Sarto e Capitão Wagner/Divulgação

Há exatamente três semanas abordamos aqui o peso eleitoral que Fortaleza tem na eleição para o Governo do Estado. A Capital do Ceará é o centro de massa político que pode ancorar e estabilizar a candidatura ao Palácio da Abolição. Isso, independentemente do candidato – quer seja o nome governista, do PDT, ainda ignorado e não sabido, quer seja Capitão Wagner (União Brasil), em pré-campanha há uns dois anos. O que vai determinar a direção do pêndulo será a aprovação – ou não -, da gestão do prefeito José Sarto (PDT).

Nesse sentido, o pacote de benfeitorias urbanas anunciado nesta terça-feira (10) vai ao ponto. Recuperação asfáltica, limpeza, sinalização e iluminação pública têm grande potencial de elevar a satisfação do eleitor em Fortaleza em relação à administração do pedetista. Prevista para ser executada em até 100 dias, ao custo de R$ 60 milhões, a força-tarefa não só requalificará a Cidade. O banho de loja será bom para o cidadão, que merece uma Fortaleza com asfalto decente, limpa, segura e bem iluminada. Mas também renderá dividendos a aliados políticos – do vereador pré-candidato ao postulante ao Executivo Estadual.

O mapa do Ceará é dividido entre Região Metropolitana de Fortaleza e demais macrorregiões. Grosso modo, a oposição levaria a melhor no primeiro grande território, enquanto os governistas compensariam a desvantagem nas demais áreas. Os rumos da gestão Sarto pode impactar nesse cálculo eleitoral.

Sombras e exorcismo político
O prefeito Sarto vive, politicamente, sob duas sombras: a do próprio antecessor, Roberto Cláudio, a quem o atual chefe do Executivo atribui a distinção de ter sido o melhor prefeito da história de Fortaleza, e Capitão Wagner. Explica-se este último ponto: eleito, em segundo turno, com 51,69% dos votos, contra 48,31% do então candidato Wagner, o prefeito recebeu a Capital dividida politicamente. O resultado do pacote de serviços anunciado ontem pode ser o início de um exorcismo político, que Sarto precisa para deslanchar a gestão e ter luz própria, perante Roberto Cláudio, e ajudar o candidato do PDT ao Governo, contra o nome do União Brasil.

A Ibiapaba, o direito e o tempo
Nunca foi tão atual o brocardo jurídico, segundo o qual “o direito não socorre aos que dormem”, se aplicado ao litígio Ceará versus Piauí, em torno de pedaços generosos de 13 municípios da região Norte do Estado. Há cidades em que a mordida passa dos 61% do território. Lição: a justiça corre numa espécie de linha do tempo, com seus ritos e prazos, atropelando quem não os respeita.

Região sem representantes
Já falamos aqui que a Ibiapaba, uma pérola não polida do Ceará, é órfão de representantes no Parlamento ou de alguém com alguma voz em estruturas dos demais Poderes. Entra década e sai década, e a região segue, com seu potencial adormecido. Particularmente, no turismo e agronegócio. Agora, o vizinho Piauí está prestes a anexar um pedaço da região. Lamentável.

 

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