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Erivaldo Carvalho: Considerações sobre renovação nos parlamentos

Está aberta temporada de caça ao voto para deputado / Antonio Cruz/Agência Brasil

O que renova os parlamentos no Brasil – das remotas câmaras municipais às bancadas estaduais em Brasília, passando pelas assembleias estaduais? Vamos listar alguns dos motivos, para ao final mostrar que, lamentavelmente, a decisão do eleitor – que deveria ser o protagonista -, tem peso irrisório na formação das novas legislaturas.

Começando pela vontade do próprio vereador ou deputado, que resolve não tentar mais quatro anos de mandato. As razões são variadas. Podem ir da decepção com o que viram de perto, falta de dinheiro para gastar na próxima campanha ou mudança de projeto de vida etc.

Outros tantos são eleitos prefeito ou governador de Estado no meio do mandato parlamentar – legislativos são ótimos trampolins para isso. Há os que trocam de instância – de câmara municipal para assembleias ou Congresso Nacional ou de vereador a deputado estadual. Fatores outros também entram na conta, como problemas de saúde, morte, longevidade ou aposentadoria política.

Na seara política, propriamente, há grupos cujo comando decide, de antemão, quem estará na lista de eleitos. A forma como são distribuídos os colégios eleitorais e recursos financeiros oficiais – ou oficiosos – de campanha costumam determinar quem entra e quem fica fora. Nas bases governistas, o jogo é ainda mais pesado, com a máquina administrativa pavimentando a estrada para poucos e a esburacando para muitos.

Sentado em cima dos votos
Num país onde o exercício do poder político é uma espécie de extensão dos interesses familiares e dos negócios, ser ou não ser vereador ou deputado é um dilema a ser resolvido durante o jantar. Não por menos, é cada vez mais explícita a presença de parentes e aderentes, em graus variados, na lista dos diplomados. Por isso não é tão raro representantes de sobrenomes conhecidos do jogo do poder, sem vocação ou outro motivo razoável, já estrear na vida pública estourando nas urnas. E lá ficam, sentados em cima dos votos domésticos. Há famílias, inclusive, que se dão ao luxo de fazer rodízio entre os seus. Tudo considerado, podemos dizer que, também aqui, a vontade do eleitor passa léguas de distância das razões que alteram a galeria dos parlamentares eleitos.

Compra e, quase sempre, paga
O poder econômico em estado puro, cada vez mais presente nas corridas eleitorais proporcionais, é outro ingrediente a ser considerado na formação das futuras legislaturas. Com muito dinheiro circulando nos bastidores, os laçadores de voto têm ao alcance a captura do sufrágio, embora ilegal. Alheios à vontade do eleitor, compram e, na maioria das vezes, pagam pelo voto.

O que sobrar é voto consciente
A maioria dos eleitores não acompanha mandatos parlamentares. Muitos nem lembram quem mereceu seu sufrágio. Na hora de votar, novamente, o fazem por motivos outros, quase que aleatoriamente. Somando mais isso ao que foi dito até aqui, o que sobrar é o voto consciente e criterioso do eleitor, que decidiu renovar – ou não – o mandato do seu deputado ou vereador.

 

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