Colunista

Erivaldo Carvalho: A Petrobras, os movimentos de Bolsonaro e a corrida presidencial

Preço de combustíveis está no centro da pauta governista / Agência Brasil/Reprodução

O pré-candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) segue usando a conhecida – e, geralmente, eficiente -, estratégia do inimigo comum para vitaminar sua bolha. Num cenário ideal, poderá até amealhar simpatizantes na saga presidencial contra a escalada do preço dos combustíveis. O mandatário vinha batendo de frente com a Petrobras e chegou a trocar o ministro das Minas e Energia, ao qual a empresa é vinculada. Depois, anunciou a pretensão de desestatizar a companhia. No mais novo lance, entrou no Supremo Tribunal Federal (STF) para pressionar os estados a baixar o preço do diesel.

Vista em conjunto, a movimentação de Bolsonaro pretende vender a imagem de que o presidente é defensor do consumidor mediano, que vê clara associação entre o preço dos combustíveis e o custo de vida. Ele tem razão: segundo captou o Datafolha, nada menos do que 68% dos brasileiros consideram que o presidente é o responsável pela alta da inflação, que vem sendo alimentada basicamente pelo aumento dos combustíveis e alta na energia elétrica. Outro dado: o instituto Ipespe mostrou que 83% dos brasileiros preferem votar em um candidato mais intervencionista na Petrobras.

Até onde vai a estratégia bolsonarista, só o humor do eleitor, refletido nas próximas sondagens de intenções de voto, dirá. Em 2014, a então presidente e candidata à reeleição, Dilma Rousseff (PT), sangrou a Petrobras, segurando repasses para a bomba. Agora, o arquirrival do PT também usa a empresa para fazer média. São movimentos diferentes, mas com o mesmo objetivo.

Processo longo, resultado incerto
Consideremos que não haja tanta espuma nas falas do governo Bolsonaro e a Petrobras entre, efetivamente, num processo de desestatização. De início, não é algo fácil nem rápido, dados o tamanho da empresa, a complexidade do assunto e os interesses envolvidos. Os próprios setores ministeriais aos quais a pauta é pertinente estimam, por baixo, uns 15 meses para o start, propriamente. Num cenário mais longo, a saída da companhia das mãos do poder público seria concluída em dois anos. Ou seja, estamos falando de maio de 2024, já descambando para a metade do próximo mandato presidencial. E se tudo desse certo, sairia o monopólio estatal e entraria o monopólio privado, geralmente até mais draconiano, como temos visto no caso da energia elétrica no Ceará.

Benefícios
Há alguns dias, a governadora Izolda Cela (PDT) retirou a chamada tarifa de contingência da conta de água dos consumidores. Mais recentemente, a pedetista anunciou a primeira parcela do 13º salário dos servidores estaduais. Agora, aumenta o prazo para o funcionalismo pagar os empréstimos consignados. No bico do lápis, são benefícios financeiros que chegam a todos os cearenses.

Vaquinha
Desde este domingo (15), pré-candidatos em 2022 podem formalizar crowdfunding – mais conhecido como vaquinha online para financiamento coletivo. Mais do que o montante arrecadado, a iniciativa tem o condão de seduzir doadores para a causa. Num país em que rios de dinheiro correm nos bastidores do poder, essa deveria ser uma prática mais difundida. Nem sempre dinheiro e política formam uma mistura ruim.

 

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