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Erivaldo Carvalho: A importância do telefonema de quem perde uma eleição

© José Cruz/Agência Brasil / José Cruz/Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro (PL) age e fala com todos os ingredientes de quem vai contestar o resultado de domingo (30).

O cenário é reforçado pelo perfil e histórico do candidato à reeleição, com seus inúmeros episódios de ataques ao sistema eleitoral brasileiro.

Para quem ainda tem dúvida, recomenda-se lembrar o que aconteceu na noite desta quarta-feira, em Brasília, quando setores do governo conspiraram para o adiamento das eleições.

E se der Bolsonaro, os lulistas colocarão sua viola no saco? Reconhecerão o resultado?

Sim e não. Das oito disputas presidenciais de que já participou, o PT ganhou e perdeu meio a meio – quatro derrotas e quatro vitórias.

Das vezes que saiu derrotado, o partido seguiu no embate político, mas dentro da legalidade – embora defenda ditaduras de esquerda mundo afora.

Entretanto, nunca houve o nível de animosidade que se assiste em 2022, o que abre a possibilidade de o conflito político se estender pelos próximos anos, em caso de vitória do atual mandatário.

Prejuízos da instabilidade
Um terceiro turno, provocado por qualquer um dos lados, seria – ou será -, ruim para o País. Lá vão três motivos razoáveis.

A instabilidade política trava o Congresso Nacional, com efeito dominó sobre outros legislativos. Com governos arrastados para a crise, a agenda não anda.

Antipedagógico, o ambiente político de rixas permanentes tende a ficar, cada vez mais, nocivo e perigoso. Se ninguém se entende, a civilidade fica rarefeita.

A economia será abalada, seguindo a regra geral sobre o que acontece quando a convivência democrática sofre trepidações. Investimentos estrangeiros serão afetados.

Previsibilidade é sinfonia para os ouvidos do mercado. E não há como garantir isso sem governos eleitos, livremente, em datas marcadas, com prazos fixos de mandatos.

E, muito de preferência, com cada lado sabendo seu papel antes, durante e depois da apuração dos votos.

É isso o que está por detrás do aguardado telefonema de quem perde uma eleição.

 

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