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Erivaldo Carvalho: A carta de Lula aos evangélicos será suficiente?

Lula, durante encontro com evangélicos, em São Paulo/Folhapress

A 11 dias da votação de 2º turno, o ex-presidente e candidato Lula (PT) cedeu às pressões dos principais conselheiros de campanha e soltou a tão esperada carta aos evangélicos.

O documento traz uma série de compromissos políticos públicos do petista. Entre eles, a garantia de que, se eleito, não fechará igrejas – e outras fake news.

É, portanto, uma tentativa de conter a possível sangria de apoios nesse segmento, já amplamente bolsonarista, segundo as estratificações das principais pesquisas.

Dito isso, algumas considerações.

Em primeiro lugar, foi derrotada, internamente, no PT e adjacências, a tese, até então abraçada por Lula, de que não se deve misturar fé e política.

A maioria dos cardeais petistas, com posto e voz na cúpula da campanha, preferiu cair na tentação de publicar o manifesto a seguir em cima do muro.

Numa disputa polarizada, como esta, manter-se na posição de cristão morno poderia significar um alto preço a pagar.

“Eu sei as tuas obras, que nem és frio nem quente: oxalá foras frio ou quente! Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca”, diz Apocalipse 3:14-16.

Carta aos Brasileiros
Guardando-se as regulamentares proporções e alcance, o documento petista desta quarta-feira remonta à Carta aos Brasileiros, assinada em junho de 2002, pelo então candidato Lula.

Em linhas gerais, assegurava que, em caso de vitória, o governo do PT respeitaria os contratos nacionais e internacionais.

De 2002 para para cá, passaram-se duas décadas. Mais uma vez, Lula foi puxado para o campo simbólico do adversário, tendo de subscrever um texto mais por pragmatismo do que convicção.

Ali era a mistura de capitalismo à brasileira com política. Agora, de forma mais volátil e intangível, trata-se da fé, misturada aos inconfessáveis interesses de quem faz uso político dela.

De qualquer forma, obviamente que por muitos outros fatores, o manifesto ao mercado de 2022 acabou afastando um importante obstáculo e Lula e o PT chegaram ao Palácio do Planalto.

A grande dúvida, agora, é se a carta aos evangélicos também será suficiente.

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