Colunista

De que República estamos falando? – por Erivaldo Carvalho

Para alguns, houve golpe de Estado político-militar / Proclamação da República (1893)/Benedito Calixto

Neste 15 de Novembro de 2023, quando se chega aos 134 anos da Proclamação da República, é justo passarmos à vista a nação construída até aqui.

Começando pelo básico: o Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo. Um terço da população, porém, passa fome ou sobrevive de assistência oficial.

O País é um notável consumidor de produtos com valor agregado. No entanto, importamos quase tudo. Aos olhos das grandes corporações globais, somos um gigantesco galpão de montagem.

A Língua Portuguesa está em quatro continentes. É uma das mais faladas; detemos o maior estoque de biodiversidade do planeta. Gabam-se de sermos inteligentes e criativos. A pergunta: quando virá o primeiro Nobel?

O brasileiro é um dos povos mais diversos que existem. Também somos um dos que mais discriminam, agridem e matam pessoas e direitos – pelo simples fato de serem diferentes.

Somos uma das maiores democracias do mundo. Mas temos fama de corruptos. Dos últimos seis presidentes, a maioria foi presa, perdeu o mandato ou está inelegível.

A propósito de poder, está em revisão o conceito de “proclamação”. Muitos dizem que se tratou de golpe de Estado político-militar. Pois é. Na República do Brasil, até o passado é incerto.

A Justiça Eleitoral e o obscurantismo do bem

Alexandre de Moraes preside o TSE / Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) arvora-se de ser o patrono da democracia no Brasil.

Com base nessa retórica autorreferente, atribuiu-se poderes especiais para remover e bloquear conteúdos na internet.

Isso foi em outubro de 2022.

À época, foi aplaudido de pé por setores da imprensa.

Um ano depois, alegando segredo de Justiça (?), o tribunal está negando acesso a detalhes da decisão.

É o obscurantismo do bem.

O crescimento do PT
O PT no Ceará passou de 18 para 32 prefeitos, desde que Elmano de Freitas chegou ao Abolição.

Cálculos de petistas tarimbados apontam para, no mínimo, 40 chefes do Executivo até as eleições do ano que vem.

Uma fonte da sigla diz que a meta “pé no chão” é, com o resultado eleitoral de outubro, passar de meia centena de gestores locais.

A legenda só não cresceu ainda mais porque vários foram para a atual costela partidária PSB.

Atenção: essa contabilidade não está considerando a desintegração do PDT-CE.

Interlocutor 1
Um atento leitor da Coluna observa que a briga no PDT-CE rachou o seletíssimo clube de ex-governadores eleitos do Estado ainda em atividade.

De um lado estão Camilo Santana e Cid Gomes.

Do outro, Tasso Jereissati e Ciro Gomes.

Nas listas não entram Lúcio Alcântara e Gonzaga Mota – dois respeitados senhores, que a tudo apenas observam.

Interlocutor 2
Luizianne Lins representa candidatura petista raiz à Prefeitura de Fortaleza.

Já Evandro Leitão, se efetivamente for para o partido, será postulação light.

Dependendo de quem for o ungido, afirma a fonte, terá vencido o governador Elmano de Freitas ou o ministro Camilo Santana.

Comentário: não é bem assim, mas faz sentido.

A saga de Eunício Oliveira

O deputado Evandro Leitão foi à convenção do MDB / Divulgação

O encontro público, recentemente, entre o pré-candidato a prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão, e o ex-senador Eunício Oliveira, gerou, previsivelmente, especulações no meio político.

Haveria um pré-acordo para apoiar o hoje deputado federal, controlador do MDB-CE, para tentar voltar à Casa Revisora?

Em 2026, duas das três cadeiras serão desocupadas – as de Cid Gomes e Eduardo Girão.

Eunício é, sim, pré-candidato ao Senado, é próximo do presidente Lula e tem se movimentado nesse sentido. Mas há outras variáveis.

Algumas: uma das vagas está prometida para o deputado José Guimarães. Cid será candidato à outra?

A suplente Augusta Brito vai concorrer? O que os demais aliados pensam da ideia?

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