Colunista

CPMI do 8/1 pode afundar quem queria surfá-la – por Erivaldo Carvalho

O plenário da comissão que investiga os atos de vandalismo / Lula Marques/ Agência Brasil

Aqui já foi dito, mais de uma vez, que a CPMI do 8/1, em curso no Congresso Nacional, era forte candidata ao título ‘desmoralização do ano’. Nesta terça-feira, a tese avançou algumas casinhas. Vamos lá.

Surpreendeu ninguém o fato de o silêncio de Mauro Cid, garantido por decisão judicial, transformar o ambiente, que deveria ser de apuração, em holofotes para bolhas.

A lógica é simples. Sem pode avançar um milímetro sobre o inquirido, os governistas, controladores do colegiado, transformaram o espaço de fala em exercício de verborragia.

Já a oposição, em minoria, fez o que sabe e costuma fazer: provocações, frases de efeito e cometimento – no que parece ter sido o caso de ontem -, de um suposto crime de homofobia.

Apenas por isso, o espetáculo de horrores já estaria garantido. Mas os governistas acharam pouco e quiseram mais: abusaram – a palavra é essa -, da pressão psicológica sobre o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL).

Emissoras e perfis transmitiram, ao vivo, apelos para questões familiares, ameaças sobre fim da carreira do militar, xingamentos e chantagens. Foi o linchamento de alguém cuja prisão, em andamento, não é consenso.

O fato é que sete horas depois de tentativas frustradas do depoimento, deputados e senadores mostraram, ao Brasil inteiro, porque essa CPMI periga afundar quem pensava em surfá-la.

A esquizofrenia política do Congresso Nacional

A sede do Poder Legislativo, em Brasília / Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Na semana passada, o Congresso Nacional fez história, ao aprovar, na Câmara dos Deputados, a reforma tributária. Foram três décadas de espera, com muitos prejuízos e lengalenga. Poucos dias depois, o mesmo Legislativo envia aos anais do Poder uma lamentável demonstração de como conduzir uma investigação – a CPMI do 8/1 -, que deveria ser séria, consequente e equilibrada. O Brasil nunca foi para amadores. Agora, esquizofrênico, muito menos.

Vêm aí o recesso e as cobranças
O início do recesso parlamentar, nos próximos dias, também será a abertura da temporada de cobranças das bases eleitorais. O período está sendo muito aguardado por prefeitos municipais. Especialmente, no Ceará, em que a maioria das gestões locais viu o primeiro semestre do governo Elmano de Freitas (PT) passar em brancas nuvens em relação a promessas do grupo vencedor das eleições no ano passado. Nenhum deles fala em público – ainda. Mas a insatisfação deverá chegar aos ouvidos de deputados governistas.

Gestão I
Saúde e educação parecem ser os motes, até aqui, da gestão José Sarto (PDT), para reforçar a imagem do pré-candidato à reeleição. Há poucos dias, o prefeito anunciou a convocação de dezenas de profissionais, para atuação na Rede de Atenção Psicossocial (Raps) e Instituto Dr. José Frota (IJF). Sensível, a área entrará no debate ano que vem.

Gestão II
Nesta terça-feira (11), o deputado Antonio Henrique (PDT) fez uma espécie de balanço da gestão Sarto, na área da educação. Na Assembleia Legislativa, o pedetista também projetou ações. Segundo ele, até o final do atual governo, serão dezenas de equipamentos, divididos em quadras poliesportivas, unidades de ensino e areninhas.

Anistia ao PL avança em Brasília

Recurso de deputados está no Tribunal Superior Eleitoral / Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Nesta quarta-feira (12) deverá ser, oficialmente, acesa, em Brasília, a luz no fim do túnel que poderá salvar os mandatos do quarteto parlamentar do PL-CE – Carmelo Neto, Alcides Fernandes, Silvana Oliveira e Marta Gonçalves. Cassados na Justiça Eleitoral do Estado, eles eram acusados de fraude na cota de gênero nas eleições de 2022. Recorreram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Pois bem. Hoje deverá ser montada a comissão especial que vai analisar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê, justamente, a anistia de quem não cumpriu a norma. Outras bondades perdoam contas partidárias do pleito. Praticamente todas as forças políticas subscrevem a PEC. O relator será do… PL.

 

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