Colunista

Como as eleições de 2024 poderão impactar a disputa de 2026 – por Erivaldo Carvalho

O petista De Assis é líder do bloco governista na Alece / Junior Pio/divulgação

Sem meias palavras, o líder do bloco governista na Assembleia Legislativa (Alece), deputado De Assis Diniz (PT), disse, durante pronunciamento, que o partido terá candidatura própria à Prefeitura de Fortaleza, em 2024, e o deputado federal José Nobre Guimarães (PT) será candidato ao Senado, em 2026.

A declaração foi, até aqui, a mais concreta versão do combo que o PT quer fazer, interligando o pleito municipal, no ano que vem, às eleições gerais, daqui a três anos e meio. Isso é bom e é ruim. Vejamos.

O lado positivo, para o PT, é a força de organização e articulação exibida pela legenda. Também reflete o pragmatismo do grupo, num momento em que há histórico alinhamento entre os palácios da Abolição e Planalto,

Na outra ponta, porém, é evidente a busca de hegemonismo pelo PT. Nos cálculos do partido, na hipótese de chegar à Prefeitura de Fortaleza, no ano que vem, o caminho fica livre para a formação de uma chapa estadual, basicamente definida pelo PT, em 2026. Provavelmente puxada pelo governador Elmano de Freitas (PT).

Nesse caso, fica faltando somente combinar – além de com os eleitores, claro -, com os aliados. Há muitas forças, de vários tamanhos, matizes e interesses, que certamente não se contentarão em assistir, da plateia, a estes e outros arranjos.

Messianismo lulopetista caminha para fechar o ciclo

Lula terá 81 anos de idade em 2026 / Marcelo Camargo/Agência Brasil

Faz sentido o PT planejar 2024 já de olho em 2026. Símbolo máximo do grupo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá, se tudo der certo e nada der errado, 81 anos de idade em outubro de 2026. Nessa perspectiva, o ciclo político que começou com greves no ABC paulista, na década dos anos 1970, e hoje é populista e personalista – com ares de messianismo -, terá chegado ao fim. Daí para frente, outras variáveis produzirão muitas incógnitas.

Cresce tensão no PDT do Ceará
Ainda o maior partido do Ceará, o PDT corre o risco de implodir. A avaliação vem sendo feita por lideranças da própria legenda, diante da queda de braço pelo controle da sigla no Estado. A agremiação é presidida pelo deputado federal André Figueiredo. O maior nome pedetista cearense, entretanto, é o senador Cid Gomes. Desde o traumático processo de 2022, ambos estão em lados opostos. Dependendo do desfecho, muitos prefeitos deixarão o grupo. Ou seja: se não implodir, PDT poderá definhar.

TBT político
O TBT – ou “volta a uma quinta-feira”, para os íntimos -, está se tornando uma boa sacada para ex-prefeitos, hoje na oposição. É o caso, por exemplo, do deputado estadual Cláudio Pinho (PDT), que já governou São Gonçalo do Amarante. O pedetista usou o recurso para lembrar como era a merenda escolar em seus oito anos de gestão.

Foco errado
Em Brasília, a Câmara dos Deputados aprovou projeto para tipificar como crime quem cometer certos atos discriminatórios contra autoridades políticas. Isso é muito grave. Já há privilégios e regalias demais. Deveria ser repudiado com toda força. E não perdermos tempo com deputado cearense que votou sem camisa. O foco está errado.

Ouvidos em 2023; olhos em 2024

Guilherme Sampaio foi entrevistado na TV Otimista / Divulgação

O PT de Fortaleza começa, neste sábado (17), pelo Pirambu, uma série de seminários em grandes áreas da Capital. O plano foi detalhado pelo presidente municipal do partido, o deputado estadual Guilherme Sampaio, durante entrevista ao programa Política, da TV Otimista. A ideia é ouvir a população sobre as dores das comunidades. Na prática, a sigla quer colher subsídios para a base do que poderá ser o programa de governo no ano que vem. Sim, é ponto pacífico que a legenda terá nome próprio. A ex-prefeita Luizianne Lins (PT) foi citada e elogiada por Guilherme, em várias áreas. A hoje deputada federal é quem melhor pontua em pesquisas entre nomes petistas para a sucessão do ano que vem.

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