Colunista

A exemplo do lulopetismo, direita no Brasil não é uma pessoa; é uma ideia – por Erivaldo Carvalho

Em vias de ficar inelegível, Bolsonaro poderá ser substituído / Marcelo Camargo/Agência Brasil

Há, no Brasil atual, uma clara disputa de modelos políticos, diametralmente conflitantes – por vezes, excludentes. É o que nos acostumamos a chamar de polarização. E, ao que muito indica, o cenário – para o bem ou mal do País -, vai se estender por não se sabe quanto tempo.

De um lado, o lulopetismo está enraizado. No outro polo também, segundo indicam pelo menos duas pesquisas dos últimos dias, divulgadas pelos institutos Quaest e Locomotiva.

Em linhas gerais, ambos os levantamentos dizem que a direita já pensa no pós-Bolsonaro. Pragmáticos, alguns setores deste espectro político admitem votar em outro nome, em 2026. A maioria parte do pressuposto de que o ex-presidente ficará inelegível.

Até nisso, as duas largas faixas político-ideológica brasileiras se parecem. Quando saiu da prisão e ainda estava impedido de disputar eleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) costumava dizer que o grupo dele voltaria ao poder. Isso, não somente através da soltura e recuperação dos direitos políticos do petista, mas por se tratar de um ideário.

É no que, basicamente, transformou-se o bolsonarismo. Ficando fora da disputa, o ex-presidente deverá ceder o lugar para outro representante. Não se trata, portanto, de pessoas, e sim, de ideias.

Nomes para o pós-Bolsonaro começam a ser cogitados

Zema foi reeleito em Minas, em 2022 / Rafa Neddermeyer/ Agência Brasil

Na mesma constatação dos institutos de pesquisa de que o eleitorado bolsonarista estaria disposto a votar em outro candidato, surgem nomes que poderão estar no páreo, daqui a dois anos e meio. As opções vão de familiares, a exemplo da ex-primeira-dama, Michelle, a governadores estaduais, mais ou menos alinhados com o ex-mandatário. São os casos de Tarcísio Freitas (SP, Republicanos) e Romeu Zema (MG, Novo).

O simbolismo na política
A política é feita por pessoas, debates, demandas e, sobretudo, simbolismos. Pouco tangível, este último ponto está presente no imaginário coletivo da sociedade. É de onde se forma, por exemplo, a imagem pública, com reputações positivas ou desgastantes. Vejamos os casos do governo Elmano de Freitas (PT) e da gestão José Sarto (PDT). Enquanto o primeiro está tentando se explicar sobre suposta prática de tortura em presídios cearenses, o segundo é finalista de prêmio nacional de proteção de dados. Bem diferente.

PL em Maracanaú
O presidente eleito do PL de Maracanaú, Bruno da Madeireira, toma posse do cargo nesta quinta-feira (15). O novo dirigente chegou ao posto pelas mãos do deputado federal Júnior Mano (PL). Eis o ponto: com o movimento, o parlamentar dá mais um passo rumo à provável candidatura a prefeito do relevante município da Região Metropolitana.

PL em Fortaleza
Sob nova direção na Capital do Estado, o Partido Liberal (PL) – agora presidido pelo deputado federal André Fernandes, avança para carreira solo nas eleições municipais do ano que vem. No caso, com o próprio dirigente na disputa. Ruim para o pré-candidato Capitão Wagner (União Brasil), que contou com o PL em suas fileiras nas últimas disputas.

Fake news, big techs e jornalismo

Rafael Mesquita foi entrevistado na TV Otimista / Divulgação

O projeto de lei 2630/2020, chamado de PL das Fake News – ou da Censura, como queiram -, é uma espécie de atualização do arcabouço jurídico, para dar conta dos novos tempos midiáticos. É a opinião do presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado do Ceará (Sindjorce), Rafael Mesquita. Em entrevista ao programa Política, da TV Otimista, o representante da entidade disse que a regulamentação das redes sociais – um debate mundial – também deve passar por regramentos de mercado, que equilibrem a relação entre produtores de conteúdo – comunicadores e artistas, por exemplo – e as big techs. Para Mesquita, a conquista fortalecerá o jornalismo profissional.

 

 

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