Colunista

A distância que separa Carmelo Neto e Larissa Gaspar – por Erivaldo Carvalho

Os deputados do PL e PT / José Leomar/Divulgação

O percurso entre a Câmara Municipal de Fortaleza e a Assembleia Legislativa do Ceará é de quase nove quilômetros, segundo os localizadores de internet. Na política, entretanto, parece haver um abismo entre as duas Casas. Vejamos:

Ex-vereadores da Capital, os hoje deputados estaduais Carmelo Neto (PL) e Larissa Gaspar (PT) fazem oposição ao prefeito José Sarto Nogueira (PDT). Com uma grande diferença: o liberal é de direita; a petista, de esquerda.

Nesta semana, Carmelo cobrou coerência da deputada. O gancho foi as duas votações de matérias tributárias, Taxa do Lixo na CMFor e ICMS na Alece. Na despedida do mandato municipal, Larissa foi contra a tarifa para gestão dos resíduos sólidos.

No Parlamento Estadual, entretanto, a parlamentar debutou votando a favor do aumento de imposto estadual, abraçando a proposta encaminhada pelo governo Elmano de Freitas (PT). Carmelo foi contra os dois projetos. “Será se existe aumento do imposto bom ou aumento do imposto ruim para a deputada?”, provocou o deputado do PL.

Não. Não existe. Sem entrar no mérito das duas propostas, o dinheiro que sai do bolso do contribuinte é o mesmo. O que há é modulação de discurso – algo muito repentino, no caso de Larissa, ao percorrer menos de nove quilômetros.

Professora fortalece pauta na Câmara Municipal

Vereadora foi entrevistada na TV Otimista / Divulgação

Ela nasceu, politicamente, no movimento estudantil universitário, foi forjada em sala de aula, gestão escolar e lutas sociais. Na Câmara Municipal de Fortaleza, segue batalhando por mais direitos femininos, minorias e qualidade de vida para a periferia da Cidade. Eis uma possível síntese da vereadora Adriana Almeida (PT). Estreante no mandato, a parlamentar está na vaga aberta com a ida do também petista Guilherme Sampaio para a Alece.

Sobre critérios para o STF
Deve ser vista como normal e legítima a pressão que coletivos de negros e de mulheres fazem para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nomear o próximo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). O petista assinou a aposentadoria de Ricardo Lewandowski, o que, oficialmente, abre a temporada de especulações sobre quem sentará na cadeira. Estranho mesmo é o mandatário da República colocar em primeiro plano seus interesses e traumas pessoais acima das atribuições da mais alta Corte do País.

Flopou
O espaço vazio em frente à sede da Policia Federal, em Brasília, onde o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) depôs, na última quarta-feira (5), diz muito do derretimento do líder de direita. Foi o segundo fiasco de público em uma semana. Já tinha sido frustrante, para a militância, os gatos pingados que tentaram recepcioná-lo no Aeroporto.

Ideário
Tem muito de teatro nas manifestações e defesas de Jair Bolsonaro para 2026. Setores da direita já dão como certa a substituição por alguém moderado. Seria um personagem que se encaixe num perfil, digamos, mais civilizado. Os bastidores partem da leitura de que o ideário já existe, independentemente do rosto e do nome que o representarão.

Fé e política

Jesus liderou grupo que fundaria o Cristianismo / Reprodução de Internet

Conforme a historiografia registra, houve muita politicagem no pano de fundo que levou à prisão e morte de Jesus. Perseguição e intolerância com a nascente e proibida fé cristã era uma questão de Estado, num território – hoje Israel -, ocupado e controlado com mãos de ferro, a partir de Roma. À época, o poder político, de base teocrática, sufocava crenças. Rebeldes, a exemplo do nazareno e seus seguidores, pagavam com a vida os atos de insubordinação. A crucificação era a regra. Tudo isso, entretanto, não foi suficiente para extinguir a ousada visão de mundo – e do além -, dos que nela acreditavam. E lá se foram dois mil e vinte e dois anos. Ideias são atemporais. Feliz Páscoa!

 

Deixe uma resposta

Compartilhe

VEJA OUTRAS NOTÍCIAS